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A força de uma voz
4 de agosto de 2022
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Houve um período em que falava suavemente, com pouco volume, para não assustar as pessoas.
Sim. Deixem-me explicar.
Aconteceu na puberdade, quando os pelos despontam em partes escondidas do corpo, o desodorizante passa a obrigatório a bem da narina alheia, e a voz de criança muda para a de homem. No meu caso, com um tom bastante sério e grave. Nessa altura, ao entrar em lojas e cumprimentar funcionários com um singelo “olá”, eles, por vezes distraídos, davam um pulo e exclamavam, assustados: “Oh, meu Deus!”. Aconteceu várias vezes…
É que uma voz com o tom baixo obriga uma pessoa a falar com mais força para ser compreendida. Caso contrário, apenas ecoa um murmúrio em jeito de resmunguice… Mas como, por outro lado, uma voz de trovão mete medo ao susto, fui preferindo o murmúrio e um aceno aos lojistas em detrimento de um “olá” bem saudado.
Apesar de tudo, continuei a crescer, a amuderecer, e sem pelos-extra. E tendo feito a minha vida profissional na rádio e em locuções deixei de preocupar-me com sobressaltos causados por simplesmente falar. Doa a quem doer, assuste quem assustar, comecei a projetar a minha voz para ser compreendido. Melhor dizendo: deixei de conter a voz.
Lembrei-me do anterior período de juventude por causa de uma conversa telefónica. A minha esposa estava há pouco a falar com um familiar em alta voz no telemóvel e eu passei por ela e cumprimentei o primo com um jovial e bem projetado “olá!”. Reação do outro lado do telemóvel: “Ui, o que foi isso?! Estás aí, Ana? Por um momento deixei de ouvir-te. Houve um barulho forte e estranho no telemóvel enquanto conversávamos”…
Ainda bem que telefonemas estão em desuso. Agora, a malta prefere videochamadas. Eu aproveito e volto a cumprimentar apenas com um aceno de mão.
Locutor português
Narrador para documentários
Voz-off em Portugal
Intéprete de voz para publicidade
Dobragem em português
Locução de vídeos corporativos
Voz publicitária
Dobrador com estúdio
Voz institucional
Narração em português
© Marcos Fernandes