Não sei o que se passa comigo e com os “olás”.
Sempre que o guião de uma narração começa com “olá” o sacana nunca me sai bem à primeira. Nem, mesmo, à segunda!
Ou é muito efusivo, ou é muito sério, ou é muito falso, ou é muito cantado, ou é muito confiante… Irra.
Atenção, eu não me estou a qujeixar de ser um mau primeiro “olá”. Até é bonzinho, mas não é perfeito. E eu sei do que estou a falar. Sou ótimo a dizer “olá” quando me cruzo com outras pessoas na rua.
Talvez seja um típico trauma de locutores… Provavelmente demorei um pouco a dizer um “olá” natural numa das primeiras voz-off que fiz, há muitos anos, e desagradei o engenheiro de som. Desde então, sempre que olho para um guião e noto que começa com uma saudação fico com receio em dizê-la. Aposto que outros locutores em Portugal, e não só, sentem o mesmo quando pensam muito que vão falhar uma palavra… Pumba. Acabam, mesmo, por falhar, provavelmente apenas devido ao nervosimo de o fazer.
O mesmo acontece comigo com o código do multibanco. Não posso, nunca, pensar no PIN enquanto estou a insterir o cartão na máquina. Tem que sair naturalmente e inconscientemente. Se vou a um ATM a pensar “e se eu me esquecer o PIN?” geralmente falho o código. Já me aconteceu falhar duas vezes e desistir de levantar dinheiro. É que também já me aconteceu falhar três vezes e o multibanco reter o cartão… Agora, como não estar consciente de um óbvio “olá” logo no arranque de um guião?
O mais estranho é que se o “olá” surgir no meio do texto, surpreendentemente, até me sai bem. Mas se estiver no início… Esqueçam… Adeus ao perfeito “olá”…
Agora que penso nisso, comecei a ouvir a música dos Beatles de uma nova forma…
“You say yes, I say no,
You say stop and I say go, go, go!
Oh, no…
You say goodbye and I say hello.
Hello, hello,
I don’t know why you say goodbye, I say hello”.
😉
E depois há as situações em que tenho que locutar um “obrigado” no final do guião…